O papel kraft deixou de ser só um material funcional para virar peça central na conversa sobre consumo, embalagem e posicionamento de marca.
No varejo, ele ganhou espaço porque responde a três pressões que cresceram juntas: a busca por soluções mais sustentáveis, a necessidade de embalagens práticas para loja física e e-commerce, e a preferência do consumidor por materiais que pareçam mais fáceis de reciclar e descartar.
Esse movimento não é impressão de mercado: o setor global de kraft e de embalagens de papel segue em expansão, puxado justamente pela substituição de plásticos e pelo crescimento do varejo multicanal.
Quando a gente olha com calma, faz sentido. O
papel kraft conversa com a estética do varejo atual, funciona bem em sacolas, caixas, embalagens secundárias e materiais de apoio, e ainda se encaixa em uma cadeia em que a reciclabilidade pesa cada vez mais.
No Brasil, o cenário ficou ainda mais favorável com a expansão do e-commerce, o avanço das embalagens de papel e a própria força da base florestal plantada, que sustenta o fornecimento de papel no país.
Por que o papel kraft ganhou tanta força no varejo
O crescimento do papel kraft não aconteceu por um único motivo. Ele virou protagonista porque conseguiu ocupar um espaço em que imagem, operação e sustentabilidade se encontram.
O varejo passou a precisar de uma embalagem que fizesse mais do que transportar produto. Ela precisava proteger, comunicar e, de preferência, não criar ruído na percepção do consumidor.
Hoje, o consumidor presta mais atenção no material da embalagem do que prestava alguns anos atrás.
Uma pesquisa citada pela Ibá mostrou que, no Brasil, 58% dos consumidores preferem embalagens de papel por considerá-las melhores para o meio ambiente do que opções de origem fóssil.
Isso ajuda a explicar por que o papel kraft deixou de ser visto como escolha “alternativa” e passou a ocupar o centro da estratégia de muitas marcas.
Além disso, o cenário global também empurra nessa direção. O mercado de papel e embalagens de papelão deve crescer de US$ 417,31 bilhões em 2025 para US$ 547,52 bilhões em 2031, segundo a Mordor Intelligence.
Já o mercado global de embalagens flexíveis de papel foi estimado em US$ 53,7 bilhões em 2024, com projeção de chegar a US$ 73,54 bilhões em 2030, de acordo com a Grand View Research.
O papel kraft encontrou o momento certo
O varejo mudou. A embalagem de loja não serve mais só para o balcão, assim como a embalagem de envio não serve mais só para o transporte.
A mesma marca precisa pensar em vitrine, experiência de compra, logística, unboxing e descarte. Nesse cenário, o papel kraft chegou no momento certo. Ele funciona bem em várias frentes ao mesmo tempo:
- Sacolas para loja física;
- Caixas para e-commerce;
- Enchimentos e proteções internas;
- Embalagens para kits e datas sazonais;
- Invólucros e soluções secundárias para alimentos, presentes e produtos de lifestyle (estilo de vida).
Esse encaixe amplo ajudou o papel kraft a crescer junto com a expansão do varejo digital e com a revisão de portfólios de embalagem por parte das empresas.
Na América do Sul, o mercado de embalagens de papel deve passar de US$ 31,67 bilhões em 2025 para US$ 42,63 bilhões em 2031, em um ritmo anual de 5,21%, impulsionado por e-commerce, recursos florestais e regulações mais duras com plásticos.
Papel kraft e a nova lógica do varejo sustentável
O varejo sustentável não gira só em torno de “trocar plástico por papel”. Ele gira em torno de montar uma operação mais coerente.
E o papel kraft ajuda nessa montagem porque oferece uma resposta simples para uma pergunta cada vez mais comum: como embalar bem sem afastar o consumidor no fim da jornada?
Aí entra um ponto importante. O papel kraft não se tornou protagonista apenas por causa do discurso ambiental. Ele cresceu porque também é útil para o negócio.
Ele facilita personalização, funciona em linhas de embalagem amplas e conversa com uma estética de marca mais limpa, que ganhou força em setores como moda, beleza, presentes, cafeteria, empórios e e-commerce.
Brasil: por que o papel kraft encontrou um ambiente favorável
No Brasil, o crescimento do papel kraft também se apoia em fatores locais. O país tem base florestal plantada, indústria estruturada, presença forte do papel para embalagem e uma cadeia de reciclagem relevante.
Segundo a Ibá, o setor planta, colhe e replanta 1,8 milhão de árvores por dia, e o país conta com mais de 10 milhões de hectares de área plantada voltada ao setor, além de quase 7 milhões de hectares de conservação.
Outro dado importante: o relatório anual da Ibá mostra que 75,8% de todo papel para embalagem consumido no país foi reciclado.
Isso reforça um ponto essencial para o varejo sustentável: o papel kraft não cresce isolado, mas dentro de uma cadeia em que o reaproveitamento já tem escala real.
Quando a embalagem deixa de ser detalhe
O papel kraft virou protagonista no varejo sustentável porque conseguiu ocupar um lugar raro: o de material que faz sentido para a operação e, ao mesmo tempo, ajuda a contar a história da marca.
Ele não entrou nessa posição por moda. Entrou porque o mercado mudou, o consumidor mudou e a embalagem passou a ser parte mais visível da decisão de compra.
No fim, a virada do papel kraft mostra uma coisa simples: quando o varejo começa a repensar o jeito de vender, a embalagem deixa de ser detalhe e passa a ser linguagem.
Sobre a Maglioca
A Maglioca é uma revendedora de papel no atacado, com atendimento voltado a gráficas, revendas e indústrias de embalagem. O foco da empresa está no papel, e só no papel, com um portfólio que inclui soluções para comunicação impressa, embalagem e aplicações diversas do mercado.
Com mais de três décadas de atuação, a Maglioca trabalha com linhas como papel kraft, offset, couché, cartões duplex e triplex, adesivos e outras opções voltadas ao abastecimento de negócios que precisam de previsibilidade, variedade e agilidade na compra de venda
FAQ- Perguntas e respostas sobre o Papel Kraft
1. O papel kraft cresceu só por causa da sustentabilidade?
Não. A sustentabilidade ajudou muito, mas o papel kraft cresceu também porque funciona bem em loja física, delivery e e-commerce, além de permitir personalização e boa integração com a logística do varejo.
2. Existe mercado global forte para papel kraft?
Sim. O mercado global de papel kraft foi estimado em US$ 18,6 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 28,8 bilhões até 2033, segundo a IMARC.
3. O consumidor brasileiro prefere embalagem de papel?
Segundo pesquisa citada pela Ibá, 58% dos consumidores brasileiros preferem embalagens de papel porque as consideram melhores para o meio ambiente do que as de origem fóssil.
4. O papel kraft se beneficia de novas regras de embalagem?
Sim. A PPWR da União Europeia determina que todas as embalagens devem ser recicláveis até 2030 e reforça critérios de design para reciclagem, o que favorece materiais mais alinhados a essa lógica.